sábado, 19 de abril de 2025












Por que preciso passar com um psicólogo antes da cirurgia de obesidade?

A cirurgia exige do paciente modificações alimentares, psicológicas, comportamentais e de estilo de vida tanto no momentos pré quanto pós cirúrgicos. Passar pelo psicólogo no pré operatório é tão importante quanto passar por outras especialidades, pois cada uma delas é parte imprescindível da avaliação e preparo global exigidos pelo tratamento.

Qual o papel da psicologia no pré-operatório?

Avaliação e preparo do paciente e sua família para a cirurgia e para a vida depois da cirurgia.

Para que serve a avaliação psicológica?

O objetivo principal da avaliação psicológica é identificar e tratar alterações psicológicas e ou aspectos emocionais que possam prejudicar o sucesso do tratamento, bem como ajudar o paciente a compreender a sua forma de se alimentar no presente e ao longo dos anos além da influência do seu estilo de vida sobre sua saúde.

Como ocorre o preparo psicológico para a cirurgia?

Nas consultas, além das orientações e informações sobre a cirurgia bariátrica (técnica cirúrgica, riscos e complicações, benefícios esperados, mudanças provocadas, consequências físicas, emocionais e sociais); são trabalhadas com o paciente, formas mais saudáveis para lidar com a obesidade e também com as questões emocionais envolvidas no processo de mudanças de hábitos.

Para que serve o preparo psicológico para a cirurgia?

Para facilitar a participação ativa e adesão ao tratamento (pré e pós-operatório), promover expectativas realistas e reflexões sobre as transformações que ocorrerão após a cirurgia bariátrica a curto, médio e longo prazo.

Preciso comunicar a minha família sobre a cirurgia?

A família possui um papel muito importante durante todo o tratamento. Assim recomenda-se a comunicação aos familiares que mais influenciam o processo do paciente para que os mesmos possam receber atendimento psicológico também. Na assistência psicológica oferecida a pacientes e familiares, o psicólogo avalia e trabalha: a estrutura e o funcionamento da família, o apoio prestado pelos familiares, a satisfação do paciente com esse apoio, as informações e expectativas dos familiares. Pontos privilegiados, pois os familiares tanto podem sabotar a cirurgia como oferecer importante auxílio ao paciente e à equipe de saúde.

É possível atendimento psicológico no momento da cirurgia e durante a hospitalização?

Sim. A atuação do psicólogo durante o trans-operatório objetiva minimizar a angústia e ansiedade do paciente e seus familiares favorecendo a expressão dos sentimentos, auxiliando na compreensão da situação vivenciada, proporcionando um clima de confiança entre o paciente e equipe de saúde, facilitando a verbalização das fantasias advindas do processo cirúrgico.

Quais as complicações psicológicas mais frequentes depois da cirurgia?

Nos primeiros 15 dias a ansiedade é pertinente, dado ao fato de que o emagrecimento almejado ainda não ocorreu, ocorre a privação alimentar principalmente de açúcares que têm papel fisiológico importante sobre o humor e há certa limitação física. Nos próximos 15 dias, permanece a privação da mastigação, que têm importante função na descarga da agressividade (morder, cravar os dentes é uma descarga motora importante para seres providos de dentes). Dependendo de cada um, pode haver comportamento explosivo e humor irritativo ou até mesmo certo isolamento social. Se o quadro persistir, há necessidade de tratamento.

Preciso fazer acompanhamento psicológico após a cirurgia?

O acompanhamento psicológico no pós operatório é também parte da assistência multidisciplinar, fundamental para a promoção de saúde mental e prevenção de agravos. Assim as intervenções do psicólogo contribuem para a adaptação do paciente e sua família ao novo estilo de vida e às mudanças no padrão alimentar, na forma corporal, na vida social; no manejo de demandas relacionadas ao emagrecimento, como autoestima, autoimagem, assertividade; e na promoção do desenvolvimento de estratégias para lidar com problemas como ansiedade e estresse relacionadas ou não ao tratamento cirúrgico. Ao longo do acompanhamento, paciente e profissional podem ainda identificar a necessidade de outros cuidados em saúde mental como tratamento psicológico e ou psiquiátrico.

A obesidade é um problema psicológico?

Não. A obesidade é uma doença que vem acompanhada de uma série de complicações da saúde global do indivíduo e de outras doenças. É comum que o indivíduo apresente pressão arterial alta, dores cervicais, bem como ansiedade, agitação psicológica e até sintomas depressivos. A compreensão de como os estados de humor afetam ou são afetados pela doença obesidade é algo importante e alvo do acompanhamento psicológico.

terça-feira, 23 de julho de 2024

Como funciona a Terapia Cognitivo-Comportamental



 A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é uma abordagem psicoterapêutica amplamente reconhecida e utilizada, que se baseia na premissa de que nossos pensamentos influenciam diretamente nossas emoções e comportamentos. Desenvolvida por Aaron Beck na década de 1960 e posteriormente ampliada por outros como Albert Ellis, a TCC se tornou uma ferramenta fundamental no tratamento de uma variedade de questões psicológicas.

Fundamentos da Terapia Cognitivo-Comportamental

Na TCC, o terapeuta e o cliente trabalham juntos para identificar e modificar padrões de pensamento disfuncionais e comportamentos inadequados que podem estar contribuindo para problemas emocionais. A abordagem se baseia em algumas premissas chave:

1. Cognições: Os pensamentos automáticos e crenças centrais de uma pessoa desempenham um papel crucial na sua experiência emocional e comportamental.

2. Comportamento: Como as pessoas se comportam e reagem às situações também afeta seus estados emocionais e pensamentos subsequentes.

3. Intervenção Ativa: Durante a terapia, são utilizadas técnicas estruturadas e orientadas para ajudar o cliente a reconhecer padrões de pensamento negativos e desenvolver estratégias para modificá-los.

Como Funciona uma Sessão de TCC?

1. Avaliação: O terapeuta realiza uma avaliação inicial para entender os problemas do cliente e estabelecer metas terapêuticas claras.

2. Colaboração: Terapeuta e cliente trabalham juntos como uma equipe colaborativa. O terapeuta atua como um guia, ajudando o cliente a identificar pensamentos automáticos negativos e padrões comportamentais prejudiciais.

3. Identificação de Pensamentos Distorcidos: O foco está em identificar distorções cognitivas, como pensamento catastrofista, generalização excessiva, entre outras, que contribuem para emoções negativas.

4. Reestruturação Cognitiva: Uma vez identificados, esses pensamentos distorcidos são desafiados e reestruturados com a ajuda de técnicas como questionamento socrático, experimentos comportamentais e reinterpretação de evidências.

5. Tarefas Entre as Sessões: O cliente é frequentemente encorajado a praticar novos comportamentos e técnicas discutidas durante a sessão, entre uma sessão e outra, para promover a aplicação prática dos aprendizados.

Aplicações e Eficácia

A TCC é altamente eficaz no tratamento de uma ampla gama de condições psicológicas, incluindo depressão, ansiedade, transtornos alimentares, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) e muitos outros. Sua estrutura clara e foco na mudança prática a tornam uma escolha popular tanto para terapeutas quanto para pacientes.

Em resumo, a Terapia Cognitivo-Comportamental é uma abordagem orientada para objetivos, baseada em evidências e focada na mudança. Ao trabalhar diretamente com padrões de pensamento e comportamento, oferece aos indivíduos ferramentas poderosas para melhorar sua saúde emocional e qualidade de vida. Se você está enfrentando desafios emocionais ou comportamentais, considerar a TCC pode ser o primeiro passo para encontrar clareza, alívio e crescimento pessoal.